Capitã Marvel | Crítica (Sem Spoilers)

(Originalmente publicado em 08/03/2019)
  Carol Danvers chegou ao MCU para quebrar algumas barreiras. Sendo a primeira heroína protagonista de um filme, ela entra nesse universo com um peso maior que o dos outros heróis, peso esse de fazer jus ao título de "heroína mais poderosa do universo Marvel", e trabalhar a diversidade da editora, que teve seu início com Pantera Negra. O primeiro longa da empresa com uma mulher no papel principal trabalha a ideia de superação, achar o seu próprio caminho e não ter a obrigação de provar nada a ninguém.

  Bom, o filme trabalha de forma superficial o feminismo, não abraçando por completo a causa como Pantera Negra fez com a questão do racismo e os afrodescendentes. Existem leves momentos de flerte com o assunto, mas apenas isso. São trabalhadas, em algumas situações, a relação de Carol e dos outros ao seu redor com certas atitudes machistas, com bom humor, que consequentemente moldam o caráter da personagem em relação a isso. Por isso, o foco central do filme não é elevar o girl power, mas apresentar a personagem que enfrentaria Thanos de igual para igual, ou seja, um filme para responder algumas perguntas que estavam no ar, e para inserir uma personagem de peso pesado que possa ser páreo para o titã louco.

  O longa se mantém fiel em grande parte a origem da personagem, alterando apenas o necessário para se manter linear ao universo Marvel – evitando colapsos de raiva dos fãs mais antigos da editora. Alguns personagens de apoio tiveram pequenas alterações, mas nada que cause acessos de fúria ou dificuldade de digerir o produto final. Por ser um filme de origem, os diretores Ryan Fleck e Anna Boden, optaram por seguir a famosa fórmula Marvel em seu longa, evitando se arriscar e tentar algo "fora da caixinha". Consequentemente, não se tira coisas memoráveis do filme. As cenas de ação ficam bastante confusas, dificultando para o público saber o que realmente está acontecendo naquela sequência. Os efeitos especiais são um ponto de dúvida, entrega um Samuel L. Jackson brilhantemente rejuvenescido, mas deixam a desejar em alguns momentos quando a personagem entra em um cenário que exige completo efeito especial, como as cenas que acontecem fora da Terra, por exemplo.


  O elenco entrega o necessário, Samuel L. Jackson e Lashana Lynch entregam atuações certeiras, com carisma e uma energia singular. Brie Larson nos apresenta uma boa Capitã Marvel, embora possua certos trejeitos que, enquanto para alguns passa um sentimento de antipatia, para outros uma mensagem centrada, objetiva, seca e direta – acaba ficando a cargo do público digerir a mensagem. Ben Mendelsohn, que interpreta Talos, o líder dos Skrulls, nos traz um personagem primoroso, com um toque de humor que muitos outros filmes acabam errando a mão. Todo o resto do elenco de apoio estão ok em seus respectivos personagens, um destaque para Jude Law que com sua experiência consegue nos passar uma atuação precisa, somente aquilo que o personagem necessita, nem mais, nem menos.

  Capitã Marvel, o longa da mulher mais forte da Marvel, é o famoso feijão com arroz. Um longa que diverte, mas não é algo memorável, e por isso acaba ficando no mesmo patamar de outros filmes de origem desse universo, com exceção apenas para o primeiro Homem de Ferro. Um filme bom, que vale a pena assistir, mas sem grandes expectativas pois você pode se decepcionar.

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