Reload! #01 - Reboot x Continuação

Olá Jovens e não tão jovens!
Saudades?

Bom, depois do anúncio do reboot de Digimon, muitas dúvidas voltaram a minha mente desocupada, pra variar. E como a internet não vive sem algo para reclamar, mais uma vez voltaram a tona diversas discussões sobre a necessidade de apego a algumas obras e qual a motivação disso, agradar os fãs ou fazer dinheiro.

Seria fácil demais responder que o único motivo é financeiro, mas podemos tentar ir além. Analisando como franquia, a ideia de fazer uma sequência e produzir temporadas eternas, ou de trazer remakes e mais remakes é para atender os desejos dos fãs, que querem continuar vendo apenas o que já assistem e não buscam algo novo. Claro que o anime existe pelo dinheiro, a indústria tá aí e nada é de graça, porém tem a motivação narrativa por trás disso, universos fantásticos que são criados e, mesmo depois de tantas temporadas, alguns ou até muitos pontos interessantes que dariam bons arcos da obra acabam passando despercebidos. Um bom exemplo para isso é Boruto, que tenta surfar no sucesso de Naruto para manter a atenção dos fãs e continuar contando história nesse universo. A grande pergunta é: tem necessidade disso?

Embora tenha seus furos de roteiro e problemas durante sua saga final, a obra original de Masashi Kishimoto se encerra de uma maneira até que aceitável, sem necessidade de novas histórias ou de continuar se apoiando nesses personagens. Mas como a obra é uma grande mina de ouro, surge essa nova história que serve apenas como uma coletânea de fanservices, não a toa a obra segue com os filhos dos casais que os fãs tanto esperaram durante toda a história original. Nada que precise ser resolvido da obra anterior e nada de novo com esses sucessores, apenas "remakes" de situações já vistas com Naruto & Cia, com intuito de atender a nostalgia dos fãs, que só se mantém assistindo em busca de novas aparições de seus personagens preferidos e sem dar literalmente nenhuma importância aos novos, e isso fica claro na bizarra viagem no tempo de Boruto e Sasuke.


Outra obra que está com uma continuação em vista apenas pelo dinheiro é Megalobox. Embora que ainda esteja em vias de estrear, só o fato dessa sequência existir já a descredibiliza. A obra foi uma das melhores dos últimos anos, e um dos seus pontos fortes é conseguir contar a história que lhe é necessária em seus doze episódios, sem desvios e decisões estúpidas de roteiro, apenas a saga de Junk Dog em busca de encontrar um motivo para lutar e, porque não dizer, para seguir vivendo. Os dois últimos episódios fecham perfeitamente o anime e amarram todas as suas pontas soltas, fazendo com que a obra passe a mensagem a qual o autor se propôs a passar, sem motivações para novas sagas. Trazer mais uma temporada pode colocar tudo isso a perder, justamente pela falta de um argumento para existir. Pode ser que eu esteja enganado, que seja uma continuação tão boa quanto a primeira, porém ela já chega com esse grande problema para resolver desde o início.

Por outro lado, outro que seguiu essa mesma linha de raciocínio foi Inazuma Eleven: Ares no Tenbin. Com um início promissor, a obra serviu como um reboot para a péssima temporada Alien do anime original, trazendo um proposta muito mais lúcida e pé no chão comparado com o restante da franquia, claro, no mais lúcido que um anime de futebol com poderes pode ser, porém muito mais lógico que os outros arcos. Era possível ser visto muito mais atenção pela narrativa e até certos traços de uma obra mais madura, aspectos que sempre foram as principais reclamações dos fãs da série. Infelizmente, com o passar dos episódios os roteiristas iam cada vez mais perdendo a mão, com uma sequência de decisões estúpidas que jogavam fora todo o cuidado tomado durante o começo do anime, em ambas as temporadas, mostrando que realmente foi trazida novamente apenas visando o lucro, ao ser lançada em conjunto dos novos jogos da franquia.

Embora não seja errado fazer algo visando ganho financeiro, querendo ou não um anime é uma forma de arte, uma expressão de como o autor se sente sobre um determinado assunto ou momento. Ganhar dinheiro em cima disso deveria ser uma consequência, e não um objetivo, e é nisso que o novo anime dos Cavaleiros do Zodíaco acerta e muito bem. Trazendo uma nova abordagem a saga dos defensores de Atena, esse remake busca apresentar a franquia para um novo público, mesmo sofrendo grande resistência dos fãs mais antigos. O que as pessoas tem dificuldade de entender é que o anime que todos conhecemos não chegaria nunca ao grande público atualmente, porque é um anime dos ano 90, completamente defasado e que não irá surtir nenhum efeito nos jovens de hoje. Já essa animação busca conciliar uma nova roupagem para se adequar aos padrões atuais de narrativa e visão de mundo ao mesmo tempo que conta, a sua maneira, a história dos Cavaleiros que os fãs tem tanto apreço, em alguns aspectos sendo até mais fiel ao mangá original do que o anime antigo, algo que passa despercebido em meio a tantas críticas apenas por ser diferente.


Outro exemplo de franquia antiga buscando renovação é Pokémon, que surge com um novo anime voltando a região de Kanto, tentando recontar histórias do primeiro continente do anime mas sob uma nova perspectiva, e com um Ash já experiente depois de passar por tantos e tantos ginásios e ligas. Embora pareça apenas mais do mesmo, já que toda temporada funciona no mesmo sistema do Ash chegando na região, fazendo novos amigos, capturando pokémons e tentando ganhar a liga, quase sempre falhando. Mas essa nova saga promete fazer a diferença

O arco promete explorar todas as regiões de temporadas passadas do anime, mesmo começando por Kanto, o que sou totalmente contra pois serve apenas para agradar os fãs velhos e chatos que reclamam de qualquer novidade na saga, mas mesmo com essa ressalva, essa situação promete muitas interações interessantes e quem sabe algumas respostas para contradições após tantas temporadas de um pikachu que não evolui e um garoto que tem sempre dez anos, como por exemplo o fato dos lendários serem únicos mas existir um Lugia bebê, ou de pokémons que foram iniciados apenas em regiões futuras mas que estavam em temporadas anteriores por motivos bizarros desconhecidos. Além disso, temos um segundo protagonista, o Go, que vem dar uma nova perspectiva a vida de um treinador pokémon, ser um contraste para o Ash, que sempre focou na amizade com os que capturava, vem esse novo personagem para ser um treinador de fato, e mesmo assim sem parecer errado ou cruel, apenas uma metodologia diferente, vai ser legal observar essa diferença entre os dois com o decorrer dos capítulos.

Eu sou totalmente a favor de uma exploração maior de outros aspectos inexplorados que o universo da obra cria, afinal tudo tem uma história, todo detalhe tem um percurso até chegar naquele ponto. Porém penso que seria melhor desapegar um pouco de algumas obras, afinal se a história já foi contada, buscar novas continuações ou remakes meio que desconsidera a mensagem que o autor queria passar ao criar a obra, fazendo com que a sua razão de existir seja manchada, o que pode ser um pouco de desrespeito com o anime e seus fãs, talvez?

Uma boa saída para isso seriam os spin-offs, que contam histórias dentro do mesmo universo, mas fora da linha narrativa da série, como Lost Canvas, uma ótima animação que é considerado por muitos como a saga que faz certo tudo que o anime original faz errado, excelentes personagens, roteiro e traço. Temos também Dragon Ball: A história de Trunks, mostrando uma história mais séria desse universo, que por mais que ela faça parte da linha narrativa da obra, essa história não é necessária para compreender a saga Cell, mas é interessante para conhecer um pouco mais de como ficaria o mundo com uma possível morte de Goku e companhia, além de conhecer todo o sofrimento da vida de Trunks em sua eterna batalha contra os androides, em busca da paz para a terra, fora que podemos ver como funciona a dinâmica dele com o Gohan, que é seu mestre nessa história. Um grande arco que não precisava ser contado, porém mostra que spin-offs são boas formas de explorar seu universo sem desmerecer a obra original.

Postar um comentário

0 Comentários