Rikei Ga Koi - Amor e Ciência, lado a lado!


  Olá nerds, meu nome é Kaito, estarei aqui apresentando análises críticas de alguns animes, geralmente de temporada, mais curtos e menos conhecidos, porém igualmente bons (eu espero).


 Optei por falar sobre essa categoria por duas razões: dar visibilidade a animes menos populares e hypados, assim mostrando que não só de fama se fazem as obras, e também pelo fato de que, no dia a dia de estudantes e trabalhadores, não existe muito tempo livre, e isso impede essas pessoas de desfrutar de obras como One Piece, Dragon Ball Super, Hunter x Hunter e muitos outros, uma vez que chega a ser impossível maratonar esses títulos, mesmo nos domingos mais ociosos.

 Bem, sem mais enrolação, vamos à análise, e o anime da vez é Rikei ga Koi ni Ochita no de Shoumei shitemita, ou simplesmente Rikei ga Koi para os mais íntimos. A obra trata do romance vivenciado pelos cientistas Yukimura Shinya e Himuro Ayame, que, apesar de estar implícito em praticamente todas as cenas do anime, eles não admitem que existe amor entre eles, pois para isso, é necessário haver uma definição rigorosa e científica do que é o amor. Com isso em mente, ambos começam uma pesquisa em conjunto, coletando dados e tentando teorizar o que seria a definição geral do amor. Uma cena que sintetiza com sucesso a proposta da obra ocorre no primeiro episódio, quando Himuro, após declarar a possibilidade de estar apaixonada por Yukimura, é questionada pelo mesmo quais eram as evidências dessa hipótese, e então ela faz uma apresentação em slides, com gráficos e dados do tipo "vezes que meu coração acelerou por estar com você" ou "vezes que você apareceu em meus sonhos", e enquanto Yukimura analisa os dados, Himuro o observa com um olhar apaixonado, e então cruzam-se os olhares e ambos se viram de costas, envergonhados, criando um clima de comédia e fofura na cena, comum a diversos outros shoujos.


  Mas como uma história não se faz apenas de protagonistas, o casal não está sozinho no laboratório de pesquisas. Seus companheiros são Kanade, uma jovem que ajuda na pesquisa do casal contando alguns relatos e por vezes aconselhando os dois como casal, havendo uma certa admiração pelos dois, umas vez que são seus senpais e recebe ajuda de Yukimura no desenrolar de sua própria pesquisa no ramo de computação. Temos também Ibarada, a mais velha do grupo, gamer e parece não ligar para as pesquisas, mas se prova inteligente em alguns momentos da trama. Por fim, Inukai é um otaku viciado em jogos de date e eroges (jogos eróticos) e não se dedica muito às pesquisas do laboratório por achar que são difíceis e "não aplicáveis ao dia-a-dia". Além destes, há também o professor Ikeda, que coordena as pesquisas do laboratório, e Yamamoto, uma ex-estudante do laboratório e mangaká, que se interessa em escrever sobre o romance/pesquisa dos protagonistas.

  O anime apresenta uma identidade única por diversos fatores, como características próprias de cada personagem e de suas interações, como o rabo de cavalo da Himuro, que começa a abanar durante certas falas de Yukimura, e quando Himuro bate em Yukimura por levar a pesquisa longe demais e constranger ou sobrecarregar Kanade. Esses elementos de comédia criam uma identidade no anime e nas personagens, tornando-o, em certos aspectos, único, e facilitando a identificação com estes personagens tão excêntricos. O anime trás também uma releitura de um debate filosófico antigo, entre a racionalidade e os sentimentos humanos, criando personagens extremamente racionais e gerando comédia em cima disso. Outro ponto que torna esse anime especial é que ele não só trabalha com cientistas, mas também com ciência propriamente dita, trazendo conceitos reais como problemas NP-difíceis, modelagens matemáticas, teoria dos erros e etc, tudo de maneira compreensível e até mesmo didática, sem atrapalhar a fluidez da narrativa.


  Apesar de trazer todos esses elementos que diferenciam o anime, ele ainda continua sendo um shoujo, e como um bom shoujo, apresenta elementos visuais e estética bem trabalhados, tornando imersiva a jornada dos protagonistas em sua pesquisa amorosa e criando a atmosfera romântica que se espera do gênero. A trilha sonora, igualmente importante, consegue ditar o clima das cenas e, de igual forma, quebrá-lo, no intuito de alternar entre romance e comédia. Em questão de roteiro, porém, existem algumas lacunas no desenvolvimento de personagens secundários, como na insinuação de um futuro romance entre Ibarada e Inukai, que toma diversas cenas do anime, mas acaba deixado de lado no final.

  Rikei ga koi é uma obra boa, divertida e fluida, que pode te arrancar muitas risadas e que te prende ao enredo, cumprindo com seu propósito. Eu creio que o anime merece uma nota 8, uma vez que apresenta alguns defeitos, mas não estraga a experiência ao assisti-lo.

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