Shazam! | Crítica (Sem Spoilers)


  (Artigo originalmente postado dia 05/04/2019)
  A DC vive uma montanha russa de emoções em relação aos seus filmes. Depois de um inegável sucesso em relação a trilogia Batman, de Christopher Nolan, gerando um novo nível para os filmes de super-heróis, criou-se assim uma expectativa de se manter esse padrão sombrio que fez sucesso, e é como diz o ditado “time que está ganhando, não se mexe”, infelizmente para a DC não funcionou.

  Um dos grandes fatores para o sucesso de Batman é a natureza do morcego que condiz com o tom sombrio, mas principalmente trabalha gradativamente a evolução dos personagens e das tramas que o envolve. Por isso, Homem de Aço e Batman vs Superman: A Origem da Justiça tropeçam, enquanto os terríveis Esquadrão Suicida e Liga da Justiça falham miseravelmente em cumprir com a tarefa.

  Após esses anos obscuros do DCU, veio Mulher Maravilha, Aquaman e agora o Shazam!, mostrando que talvez a Warner tenha aprendido com o seu erro e tenha acertado seu caminho nos cinemas, mesmo que signifique não ter um universo compartilhado ou algo trabalhado por anos como a sua rival. Ela vem construindo algo simples e dentro do próprio mundinho dos personagens.


  Certamente você foi um dos milhares de fãs que ficou surpreso ao ouvir a história de que a DC faria um filme desse personagem, um pouco desconhecido comparado ao panteão que ela tem em seus domínios. De forma simples e divertida, o filme se prova como um dos melhores acertos do estúdio pós-trilogia Nolan. O filme está longe de ser perfeito, mas para quem sofreu tantos anos para acertar um caminho, esse já é um ótimo resultado.

  A sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Todas essas habilidades extraordinárias sob a posse de um garoto no corpo de um adulto, graças a um encontro com um misterioso mago, fazendo com que Shazam! seja a mistura genuína da inocência com o humor infantil. Mesmo com todos esses poderes absurdos, o herói da história continua sendo apenas uma pequena criança, e o filme acerta muito nesse ponto. Ele também consegue passar um ar de nostalgia de forma certeira, possui muitas características que o levam um nível além do tão falado "filminho de sessão da tarde", numa direção bem oposta ao tom sombrio na qual o estúdio tentou seguir, apenas continuando a trajetória que se começou com a Mulher Maravilha e Aquaman.

  Zachary Levi está impecável em seu papel, transmitindo todo sentimento e emoção de uma criança dentro do corpo de um adulto com grandes poderes. Aliás, a dupla principal, Zachary Levi e Asher Angel, entregam uma excelente transição entre o jovem Billy Batson e o grande Shazam!; passando todo o espírito e sentimento da transformação de um simples garoto problemático para um herói digno de seus poderes. Ao seu lado temos Jack Dylan Grazer, esse moleque detona no seu papel, sendo talvez o melhor personagem do filme: o garoto representa todo fã da DC nas telonas. Ele sabe tudo sobre os heróis e nos mantém juntos nessa jornada para descobrir os poderes do personagem. Mark Strong entrega um vilão simples, mas pontual, onde temos um Doutor Silvana bem mais parecido com sua atual versão nos quadrinhos do que com o clássico. O vilão consegue mover bem a trama e gera uma boa oposição ao herói, e todos os seus objetivos e os motivos de suas ações são claras e, apesar de ser superficial, podemos ver quais são as intenções do personagem.


  Uma das principais mensagens do filme é sobre a família e o elenco mantém a peteca no alto. O núcleo familiar é formado por diversas personalidades e jeitos diferentes, mostrando a preocupação da direção em fazer com que o publico se sentisse mais representado com o filme. Juntando essa diversidade, o longa abraça de corpo e alma as situações e traumas que essas crianças passaram, seja o abandono ou até mesmo o sentimento de invalidez de Freddie com sua deficiência. São esses momentos sutis, em que a realidade fantasiosa fica um pouco de lado para entrar na realidade crua e sincera, mas conduzida de forma brilhante pela família Vasquez, que por sinal Cooper Andrews e Marta Milans entregam papéis inspiradores para o público.

  Shazam! é tudo aquilo que prometeu desde o início. Uma aventura inocente, divertida e envolvente, provando que não é necessário seguir um padrão dark para se fazer um filme de destaque. O filme passa sua mensagem para o público adulto, mas é direcionado para o público infantil, que passa o gostinho de como é ser um super-herói na vida real. Um filme fechado em seu mundinho e que consegue ser desenvolvido de forma certeira, com bom humor e uma história familiar, a DC conseguiu sua mina de ouro. Com todo o problema no passado o estúdio precisou apenas de uma simples palavrinha mágica pra isso:

SHAZAM!

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