TokuTalk #01 - Ryukendo


  Olá jovens!
  Estamos iniciando nesta segunda um novo quadro, o TokuTalk, para trazermos críticas e discussões sobre esses heróis que fizeram parte da nossa infância, ou até que ainda fazem parte de nossas vidas, afinal tokusatsus continuam saindo todo ano no Japão, firme e forte, com várias poses e muitos brinquedos, então quem sabe esse quadro apresenta novas séries para vocês, queridos leitores?

  Para começar, nada melhor que um clássico para quem, assim como eu, cresceu assistindo muito TV Kids na RedeTV!, juntamente com ChaoticYu-Gi-Oh! GX, Dinossauro Rei e claro, Pokémon. Estamos falando de Madan Senki Ryukendo, onde vemos a história de Kenji Narukami, que acaba de chegar a Akebono, uma pacata cidade do interior do Japão, e logo ao chegar se depara com a situação de que a cidade é constantemente atacada por monstros que, diferente de outras séries, não estão atrás de destruição da raça humana, mas sim de gerar medo, raiva e outros sentimentos ruins para coletar Energia Negativa, afim de juntar o bastante para reviver um grande monstro conhecido como Fantasma Verde para enfim conquistar o mundo (porque não?).

  Bom, a série não é boa por ser inovadora, longe disso. Ryukendo é mais um tokusatsu cheio de clichês, porém é um produto genérico que foi bem aproveitado. O roteiro de inicio foca em apresentar os personagens apenas o suficiente pra série andar, afinal foi feito para o publico infantil, então não precisamos de personagens profundos e sombrios, pelo menos não agora. Os primeiros catorze episódios tem sempre o mesmo velho sistema, um personagem tem um problema em seu cotidiano, aparece o monstro da semana, heróis lutam, perdem num primeiro momento, depois surge uma solução para derrotar o monstro que é mais ou menos envolvida com o problema do começo do episódio, monstro é derrotado, problema resolvido. Eu arriscaria dizer que 90% dos episódios são assim, mas a direção soube evitar que a série se tornasse entediante, lidando bem com os personagens centrais da trama e sabendo utilizar muito bem a comédia sempre presente na história, fazendo com que cada um dos 52 episódios passassem num piscar de olhos

  Na segunda parte da trama, temos a introdução do Ryujin'o, um autêntico anti-herói, para servir de contraponto ao Kenji e o Fudou, enquanto o mesmo traz novos mistérios a trama, buscando respostas para a morte de seus pais, e é claro, vingança. Essa segunda parte claramente demonstra mais maturidade do que a primeira, onde a relação dos guerreiros com suas armas é aprofundada ao vermos ambos perdendo e recuperando seus poderes, dessa vez de forma evoluída, mas por motivos diferentes. Enquanto temos um pequeno arco do Fudou encarando a destruição de sua arma em batalha, ao enfrentar um novo e mais poderoso inimigo, o vemos evoluir após aceitar que ele não está sozinho nessa luta, que Akebono estará segura sem ele quando vê  Kenji e Koichi fazendo as pazes, e por conta disso ele retorna alguns episódios depois com uma nova forma e novos poderes. Já no caso do Kenji, vemos ele perder os poderes por motivos egoístas, ao tentar conseguir mais poder. por conta disso, sua arma meio que "morre" e, ao ver a cidade ser atacada por um monstro gigante, percebe que ele não está nessa história apenas por si mesmo, mas sim para salvar e proteger os habitantes da cidade, assim recuperando seus poderes e ganhando também uma nova forma, se tornando ainda mais forte. Pequenos detalhes de evolução de personagem que a direção soube usar muito bem para tornar a obra cada vez melhor.


  Os personagens secundários não ficam muito atrás da dupla e posteriormente trio principal, e acabam agregando bastante ao ambiente da cidade, enriquecendo esse lado social da pequena cidade de Akebono. Os melhores para mim são os interesses amorosos que vão surgindo das formas mais engraçadas possíveis, como a convivência do Kenji com a Lin, ou então com a Komachi, a fantasma que só o Kenji pode ver, até temos o episódio em que ele realiza o sonho dela de dar um passeio romântico de mãos dadas; e a história do Kenji fazer todo mundo chamar o Fudou de velho, que foi mal dublado como "Dom Fudou", era muito divertido ver a briga deles por isso.

  Os vilões conseguem ser tão interessantes quanto nossos heróis, mesmo com tanta reutilização de capangas e do monstro da semana devido ao baixo orçamento da série, vide o Rock Crimson que morreu e voltou umas quatro vezes e os vilões dos primeiros episódios que eram meio que os monstros roxos genéricos, só que com uma outra roupa ou acessório diferente, todos comandados pelo Dr. Worm, o planejador da grande volta do Fantasma Verde. O grande vilão dessa primeira parte é o Jack Moon, que é literalmente um antagonista para o Ryukendo, com o velho clichê do vilão que quer ter uma morte honrada em batalha e que até te faz simpatizar por ele. A partir da segunda parte da série o bicho pega, temos a vinda da Lady Gold como uma rivalidade para o Ryugan'o, e o Conde Bloody, esse sim eu queria que fosse o vilão final, aquele ali era o mal encarnado mesmo, não à toa ele vem para ser o rival mortal do Ryujin'o, por ter ligação com a morte dos seus pais. Pra mim o mais decepcionante foi justamente o Fantasma Verde, tanto clima pra nada, senti que ele não teve tanto peso, foi embora na mesma velocidade que chegou.
  Acho que o maior problema da Jamanga é culpa justamente da dublagem. O Wendel Bezerra, que dá voz ao Kenji/Ryukendo, já disse que a dublagem era complicada pois tinham muitas frases que simplesmente não faziam sentido, então os dubladores que tinham que dar um jeito na hora de dublar, e isso se deve ao fato de que a tradução brasileira não veio do original japonês, mas da versão espanhola, ou seja, é uma tradução da tradução. Por conta disso, diversos termos acabaram sem pé nem cabeça, como a questão do Dom Fudou, ou de tudo que tem J virar Y, como Jamanga que virou Yamanga, ou Ryujin'o, sempre chamado de um jeito diferente; ou as formas especiais do Ryukendo, que até chegaram a ser traduzidos em sua primeira forma, mas depois de passar para Deus Ryukendo, onde simplesmente usaram os nomes originais mesmo e segue o baile. Enfim, pequenos detalhes que embora incomodem, depois de um tempo você acostuma.

  Sobre a trilha sonora, para um trabalho de baixo orçamento, não foi nada mais do que excelente. Eu desafio encontrar algum desgraçado que fale que alguma das duas aberturas e quatro encerramentos é ruim, quero só ver, impossível. As aberturas trazem toda a intensidade que a série necessita, inclusive suas versões instrumentais usadas durante as lutas, de maneira precisa, dando ainda mais emoção para as batalhas. Os encerramentos trazem mais o toque de comédia da obra, que não poderia ficar de fora até mesmo aqui, seja os clipes dos encerramentos ou pequenos trechos mostrando uma continuação do final do episódio, era sempre divertido assistir até acabar pra valer, não tinha aquela sensação de "começou o encerramento, posso mudar de canal". Até hoje me lembro de ficar triste por não encontrar muita coisa dos músicos responsáveis pela trilha sonora, quase como se eles só existissem aqui, poxa, queria mais.


  Ryukendo foi uma iniciação no mundo dos tokusatsus para muita gente, ao mesmo tempo que matou um pouco das saudades do pessoal que vinha da época da Manchete, então posso dizer tranquilamente que a obra agrada os diversos tipos de público do meio. Até por ter sido dirigido e roteirizado pelos responsáveis por diversas versões da franquia Ultraman, além de Gingaman e Dekaranger, Sentais que serviram como base para Power Rangers Galáxia Perdida e S.P.D, respectivamente. A equipe responsável era experiente e sabia o que tava fazendo, então souberam se virar com o que tinham em mãos.

  Então é isso, deixem seus comentários, digam o que mais marcou vocês sobre Ryukendo ou então se ainda não assistiu, só pesquisar no YouTube que você pode encontrar a série completa facilmente, assistam, quero ver a opinião de vocês por aqui!
  E claro, críticas e sugestões são sempre bem vindas, vou sempre estar buscando entender mais sobre tokusatsus para trazer um material cada vez melhor por aqui. Até mais!

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