Platinum End #02 - Volume bagunçado, mas ainda há esperança!


  Acho que esse volume foi uma aula de como acabar com uma boa primeira impressão do começo de uma história. Deixando um bom primeiro volume para trás, a obra continua contando sua história, porém acaba tropeçando em algumas falhas no roteiro, além de deixar os personagens meio... "perdidos". Seria esse um aviso do que está por vir, ou apenas um volume a ser esquecido?

  Bom, temos uma continuação direta do volume anterior, onde vemos os desdobramentos sobre o Mirai ter sido atingido por uma flecha vermelha justamente vinda da Saki, a garota pelo qual ele era apaixonado. E foi ai que as coisas começaram a desandar. Além de ter sido uma maneira bem forçada de apresentar o interesse amoroso do protagonista, a forma como esse primeiro capítulo do volume foi executada faz com que o leitor crie uma certa aversão pelo casal principal, pois eles, pelo menos por enquanto, aparentam ser apenas personagens rasos e que moldam o pouco de personalidade que tem, conforme a necessidade do roteiro. E isso é algo bem falho, pois mostra a incapacidade dos roteiristas em fazer com que a história avance sem precisar mudar algo em um personagem, a menos que essa mudança seja mesmo necessária. Você não consegue criar empatia com esse personagens, pois a cada momento do volume eles nos apresentam uma personalidade diferente.

  Esse mangá foi, pelo menos pra mim, uma grande bagunça. Eu não entendi o que aconteceu sobre o efeito da flecha vermelha durar um mês, porque se passou um mês e o nosso protagonista continuou um bocó. Digo, ele devia voltar ao normal, não?

  As vezes ele agia normalmente, outras vezes voltava a ser um idiota novamente, por pura conveniência de roteiro. Isso sem contar a loucura que foi aquele momento no estádio, que embora tenha conseguido passar toda a tensão e horror que a situação pedia, falhou em tentar reproduzir um momento "Death Note", onde temos um personagem se mostrando mais inteligente que o outro através de suas ações previamente calculadas, para depois tomar um revés de seu rival. Sério, eu passei esse capítulo todo tentando entender o que aconteceu, fiquei completamente perdido, para no fim vir uma explicação mastigada que você simplesmente aceita e pronto. Nada que te cause surpresa ou te deixe impressionado diante da inteligência do personagem, você só fica perdido, e isso é muito ruim. Talvez no anime (caso venha a ter um) essa cena fique mais clara.

  Por falar no protagonista, esse volume acabou com qualquer traço de personalidade que esse rapaz tenha. Veja bem, uma hora ele age como um idiota perdidamente apaixonado, mas é justificável por conta do efeito da flecha. Mas depois esse efeito já passou, só ele continua assim, sem motivo algum. Se ele já gostava da garota, porque nunca agiu assim antes então? E no estádio, porque ele quer ser extremamente altruísta e salvar aquela garotinha, visto que ele era o cara que até dois capítulos antes só queria ficar em paz porque estava apavorado? E depois no fim do volume, do nada ele volta a ser o mesmo cara do primeiro volume, que só quer ficar na dele e não quer matar ninguém? Múltiplas personalidades ou roteiro falho?

  Nosso vilão disfarçado de herói, por enquanto conhecido apenas como Metropoliman, embora esteja movendo a trama e trazendo novos elementos, não passa a sensação de estar fazendo alguma coisa de fato. Até agora, já foram quatro candidatos a deus mortos por ele, mas é só isso. Sempre que ele aparece alguém morre, ele chega, faz todo aquele teatro, e no fim mata alguém, e só. As mortes não tem peso. Num total de doze pessoas, quatro já morreram, e muito me incomoda que tudo isso não acrescente muito na história. Até tentaram fazer algo marcante com o momento "Death Note" ali, mas por conta da bagunça que foi aquela sequência de ações, acaba prejudicando demais o acontecimento. Outro ponto que pode ter causado isso é o fato de termos visto quatro mortes em dois volumes, faz com que você não se importe muito com a situação de ver um personagem "importante" morrendo, o que significa que a próxima morte de um candidato vai demorar bastante pra acontecer, pelo menos eu espero que seja assim. Vamos aguardar pra ver se nosso caro "Metropoliman" melhora também, e nos mostra algum traço de personalidade, por favor!

  Bom, passados todos esses problemas, os anjos protagonistas estão se mostrando a parte mais carismática da obra. Nasse é descrita nesse volume como "a anjo que é de nível especial por conta de sua ingenuidade e inocência", e é ótimo ver como isso é explorado. Parece se importar bastante com o objetivo de seu protegido de alcançar a felicidade, mas não se importa nenhum pouco com o resto dos humanos, não importa se é uma garotinha inocente prestes a morrer ou se são pessoas correndo perigo. Esse total desprendimento em relação a morte e sobre os problemas que afligem a humanidade nos dá uma sensação de que ela está tramando um grande plano obscuro ou algo do tipo, mas por conta de ser retratada como um ser puro, não dá pra saber se isso é só nossa impressão ou se é o autor querendo nos enganar, escondendo futuros planos da personagem. E isso é ótimo, essa sensação dúbia, que te deixa cada vez mais curioso sobre o destino de Nasse, e te dá mais vontade de continuar lendo. Vegeta também era puro, mas todos nós sabemos do que ele era puro, não é? Aguardemos os próximos capítulos.

  Sobre a arte, é bom ver que ela se mantém consistente. Obata está fazendo um ótimo trabalho, um traço maravilhoso que ajuda bastante na imersão do leitor ao que está acontecendo no mangá. Não sei se posso botar a "culpa" daquela confusão que foi a cena do estádio na conta dele, afinal o problema ali foi mais de como foi elaborada a sequência de cenas, mas acho que esse seria o único defeito da parte visual do mangá. Embora eu ache cedo pra falar sobre manter alguma frequência, ele já demonstra que capacidade para fazer algo sempre de alto nível ele tem, agora é torcer pra isso continuar sendo uma característica forte do mangá.

  Mesmo diante de diversos problemas de execução, esse não foi um volume de todo ruim não. Nasse, com todo o seu carisma, consegue manter nossa curiosidade sobre os anjos, e nos faz querer saber mais sobre as características únicas de cada anjo. Infelizmente, o mesmo não se aplica ao casal principal, que não nos causam nenhum tipo de empatia ou fascínio, pelo contrário, são tediosos e sem nenhum carisma. O mesmo pode se aplicar ao vilão, que muda totalmente de abordagem porque quer, e fica por isso mesmo. Espero que esses sejam apenas problemas de início de história, pois vejo um grande potencial nesse mangá.

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