The Last of Us Parte 2 - Review



  Em 2013, The Last of Us foi lançado para PS3 sendo desenvolvido pela Naughty Dog (Uncharted, Crash, Jak and Daxter), na época do lançamento o jogo foi extremamente aclamado pela crítica e pelos fãs, com uma média de 95 no Metacritic e com uma grande quantidade de pessoas que o considera um dos melhores jogos já feitos. Assim, em 2016, três anos após o lançamento, foi anunciada uma sequência, The Last of Us - Parte 2, o jogo mais ambicioso da empresa. Logo, depois de quatro anos de espera, o jogo finalmente é lançado e venho aqui fazer uma análise fria e SEM SPOILERS.
Aviso: Esta review não terá spoilers do The Last of Us - Parte 2, mas terá da Parte 1, se ainda não jogou e não quer spoilers, não continue lendo.

  Bom, o jogo se passa cinco anos depois do acontecimento no hospital dos vagalumes, com Ellie e Joel vivendo em Jackson, Wyoming, com o Tommy. Nessa nova vida, eles vivem em paz (exceto pelos infectados nos arredores da cidade), até que um evento traumático acontece, quebrando essa paz e fazendo Ellie buscar vingança em Seattle, assim originando uma longa jornada de ódio e reconciliação.

  A história do jogo trata sobre diversos temas importantes, com mensagens sobre empatia, violência, ódio, reconciliação, amor e, principalmente, as consequências que os atos de alguém podem trazer. Além disso, tudo isso é acompanhado de um ótimo enredo, plot-twists incríveis e um dos melhores finais que já vi em um jogo AAA, criando uma história comovente, brutal (ao ponto de me fazer literalmente passar mal) e interessante. O primeiro jogo tinha um plot simples, porém, foi extremamente bem contado e possui personagens muito bem escritos, humanos e complexos. Já a parte dois, mesmo que muitos fãs não gostem e seja bem divisiva, acredito que tenha uma história muito boa e corajosa. No quesito narrativo, por mais que não seja tão boa quanto o primeiro, ela também é ótima, os personagens estão ainda mais bem escritos e te faz entendê-los ainda melhor.

  Essa franquia, ao contrário de Uncharted, tem um foco em representar a realidade, seus personagens são bem humanos e tudo é feito de forma natural e realista. A história fala sobre empatia, perspectivas diferentes, e principalmente, como não existe herói ou vilão, apenas humanos tentando sobreviver, que cometem diversos erros e sofrem consequências por isso. Além disso, todas essas ideias são representadas de forma natural e sem muita exposição (com ressalvas) ao longo do jogo, te lembrando várias vezes da violência e brutalidade que certas escolhas podem trazer, mas ao mesmo tempo tendo diversos momentos de relaxamento para tudo isso, e sendo extremamente bem dirigidos e encaixados na história.

  O jogo também tenta guiar as coisas sem muitos diálogos, muitas vezes deixando os aspectos visuais representarem a situação, com uma boa margem para interpretação e sendo bem natural. Também preciso citar a tecnologia, com uma expressividade e atuação impressionantes para um jogo, sendo todas bem detalhadas e condizentes com as situações que estão acontecendo, seja em cutscene ou no meio das gameplays. Além disso, o jogo tem uma ótima direção de arte e trilha sonora, muitas vezes sendo usado de forma contemplativa, ou para dar um peso maior a algum sentimento específico, e isso tudo funciona perfeitamente.



  Porém, ainda tenho algumas reclamações quanto a forma que algumas coisas foram feitas. Dentre as reclamações, ficam os flashbacks, alguns não são tão importantes ou se prolongam mais que o necessário, além de ser um elemento que foge da naturalidade e tem pouca exposição do que a obra normalmente segue. Também posso reclamar de uma parte em específico em que o jogo está se aproximando do clímax e dá um freio, apesar que eu goste bastante dos acontecimentos que seguem isso, e serem bem importantes pra narrativa, o momento que decidiram começar essa pausa foi uma má decisão. Em questão de furos, não tenho muito o que criticar, percebi apenas alguns pequenos, como ferimentos que não tem o impacto que deveriam, inimigos "teleportando" pra te atacar... o pior que percebi foi de plot armor (salvar alguém perto da morte ou de uma situação muito arriscada por ela ser importante pro plot) sendo usado em alguns momentos.

  The Last of Us é um jogo de tiro em terceira pessoa, com foco em stealth e sobrevivência, com alguns poucos momentos de survival horror. A gameplay do primeiro jogo era bem linear e muitas vezes também bastante scriptada, a parte dois tem menos script (por mais que ainda tenha bastante em certos pontos, não é tanto quanto o primeiro), ambientes mais abertos, mais possibilidades de encontros e mais estratégias.

  Apesar de que, em questão de tecnologia, ser ótima pra época, a gameplay do primeiro é bem básica e mecanicamente falha em certos pontos. Na parte dois, temos não só um nível muito alto em aspectos técnicos, como um bom nível em mecânicas, adicionando a esquiva, poder se esconder na grama, se deitar, passar em brechas da parede, pular, etc. Por mais que não sejam mecânicas inovadoras nem nada do tipo, trazem uma maior verticalidade e agilidade em relação ao primeiro, e isso se misturando aos ambientes mais abertos, o combate fica ainda mais estratégico e frenético. O jogo também trouxe uma variedade maior de inimigos, entre os humanos vemos facções diferentes, cada uma com suas peculiaridades, te obrigando a criar diferentes estratégias; já entre os infectados vemos um que aparece normalmente e um para bossfight (inclusive o momento em que ele aparece lembra bastante Resident Evil). Além disso, esse jogo tem uma brutalidade bem maior que o primeiro, os inimigos vão estar conversando entre si, vão gritar os nomes dos amigos ou agonizar ao ser desmembrado, isso te passa um impacto, realismo, e imersão maior a tudo que está acontecendo, podendo até mesmo te passar um sentimento de remorso ao matar alguém, por causa disso, o jogo talvez não seja divertido no começo (depois que você se acostuma fica mais satisfatório), mas isso é ótimo, já que agrega bastante à proposta do jogo, questionar os próprios atos.

  A exploração do segundo jogo fica mais aberta e se beneficia ainda mais do incrível level design da Naughty Dog. O jogo consegue equilibrar muito bem a progressão natural e direta da história com a exploração e busca por suprimentos (inclusive, recomendo bastante colocar a escassez de recursos nas maiores dificuldades), pode ser um jogo linear, mas se não explorar corretamente, você pode deixar passar muitas histórias secundárias, colecionáveis, armas ou recursos para trás. Além disso, esse jogo trouxe um ambiente que é praticamente um mundo aberto em um dos primeiros capítulos (algo parecido com Madagascar, de Uncharted 4, mas sendo bem melhor explorado), até mesmo usando um sistema de mapa, contendo uma exploração magnífica, repleta de puzzles naturais, encontros com infectados e histórias ou cutscenes secundárias (inclusive, caso você não explore direito, poderá perder uma das cenas mais bonitas do jogo)

  O stealth do jogo é bem estratégico e tenso, você tem que calcular bem os seus movimentos para que não seja detectado, e um mínimo erro pode acabar com todo seu planejamento, te obrigando a improvisar no combate direto ou apenas desistir e tentar novamente. Ademais, a IA também é muito boa e aumenta o risco, os inimigos costumam parar bastante para olhar em outras direções, podem te ver de bem longe, te acham na grama alta se você estiver perto, quando tem alguma suspeita eles se separam e tentam te flanquear, etc.



  O combate direto do jogo é maravilhoso, as armas são potentes, e com auxílio da sonoplastia e efeitos visuais, passam um grande impacto, e também tem uma grande variedade de armas, cada uma passando um percepção e especialidade para cada situação, possuindo desde pistolas simples até flechas explosivas. Em quesito de combate corpo-a-corpo, o jogo também consegue fazer tudo funcionar muito bem, além das lindas animações, ele requer muita mobilidade, improviso e estratégia para que sirva bem, e com a ajuda da esquiva, se torna ainda mais satisfatório. Além disso o jogo também possui algumas bossfights e setpieces, todas muito bem ambientadas e épicas. Porém, mesmo com todos esses elogios, ainda tenho que criticar o script do combate, por mais que tenha menos que o primeiro, ainda acontece, e, principalmente, um problema presente em jogos da Naughty Dog desde Uncharted 1, em que o jogo exagera na quantidade de combates, ou não sabe equilibrar muito bem com a narrativa, isso em um jogo que tem quase o dobro do tamanho do The Last of Us (que também tinha problemas com isso), chega a dar uma impressão que o ritmo é ainda pior.

  Enfim, considero The Last of Us Parte 2 o ápice do PS4 em quesitos técnicos, o jogo conseguiu atingir um nível espetacular em animação, iluminação, texturas, efeitos visuais, efeitos sonoros, expressões faciais, etc. Tudo é feito de forma extremamente caprichada e rica em detalhes, eu realmente não esperava algo desse nível rodando em um console dessa geração, ainda mais se mantendo estável à 30 FPS. Tive algumas experiências com bugs, mas não chegou a atrapalhar a minha experiência ou acontecer muitas vezes, então não tenho muito do que reclamar em relação a isso.

  Um jogo perfeito? 
  Não mesmo, ainda possui vários problemas com o ritmo e alguns com script, mas mesmo assim, The Last of Us Parte 2 é um dos melhores, se não o melhor jogo cinematográfico da geração, possui uma ótima escrita, bem natural e sem muita exposição, e é uma experiência única, devastadora e imersiva, de forma que apenas os jogos podem proporcionar. Esse jogo é um marco na indústria não só em quesitos narrativos, como em aspectos técnicos, e isso acompanhado de uma ótima exploração e combate. 

Nota:


Masterpiece

Pontos positivos: 
- História corajosa e ótima narrativa;
- Level design muito bom;
- Combate tenso, estratégico e brutal;
- Uma experiência única, devastadora e imersiva;
- Nível técnico absurdo, acompanhado de uma direção de arte maravilhosa;
- Diálogos naturais e pouco expositivos;
- Personagens muito bem escritos e desenvolvidos;
- Ótimas boss fights e set pieces.

Pontos negativos: 
- Uso de plot armor;
- Exagero de combate;
- Problemas de ritmo;
- Partes de gameplay que deveriam ter menos script.

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