O maior vilão de Castlevania: A Konami


  Não é surpresa pra ninguém que Castlevania é uma das mais influentes e lucrativas franquias na história dos videogames, e também não é novidade para a própria Konami, principalmente pelo lado lucrativo da coisa. Com o jogo mobile, Grimoire of Souls, sendo descontinuado em Setembro deste ano, pouco antes de seu primeiro aniversário, é bom revisitar a trajetória da série de jogos, que atualmente tem seus fãs, em grande parte, sedentos por um jogo novo da franquia tão amada, principalmente pelo fato da mesma ser responsável por alguns títulos que se tornaram clássicos da indústria, com o maior exemplo possível sendo o Symphony of the Night. Mas qual será o futuro dela? Ainda há um futuro pra Castlevania? Após seis anos desde Lords of Shadows 2, e doze anos desde Order of Ecclesia, uma franquia tão importante quanto essa tendo apenas um jogo mobile multiplayer com microtransações nesse tempo todo chega a ser preocupante para o público. E além da dúvida do que ocorrerá com a franquia, fica o questionamento de como chegou nesse ponto. O que aconteceu com Castlevania?

  A série que foi um marco inevitável para a criação de um dos gêneros mais apreciados, os metroidvanias, tendo seu nome eternizado nisso, começou em 1986, posteriormente tendo inúmeros jogos e remakes. Passando por várias mudanças, os jogos tiveram seus elementos de plataforma, RPG, e exploração muito bem evoluídos, desde títulos como Castlevania III, Rondo of Blood, e obviamente Symphony of the Night, que ditou como os jogos da franquia seriam desenvolvidos no futuro, influenciando inúmeros metroidvanias que viriam também, como Bloodstained, Hollow Knight, Blasphemous, entre outros.

  Aparentemente, em 2014, quando o mestre Koji Igarashi saiu da empresa, a franquia entrou no estado do sono de cem anos do Drácula. O produtor de todos jogos da franquia pós-classicvanias, levando os games para o gênero de metroidvania, saiu e fundou o próprio estúdio, criando os três jogos de Bloodstained.

O sucesso de Castlevania realmente dependia tanto assim de Koji?

  Depois de trabalhar em Order of Ecclesia, a Konami se agarrou ao símbolo que Castlevania se tornou, lucrando através de relançamentos, como o Castlevania Collection ou o Castlevania Requiem. Também houve a tentativa de reboot, na mini-franquia Lords of Shadow, mas que depois de três jogos também segue ignorada. Com isso totalizam-se doze anos desde que o último metroidvania da franquia foi lançado, e seis desde o último título do reboot hack and slash. Com Grimoire of Souls acabando, a última notícia da franquia foi no início do ano, e Symphony of the Night chegando à plataforma mobile, sendo novamente, um relançamento, isso tudo e muito mais fez a Konami ganhar fama de mercenária, algo que ela infelizmente faz jus...


  Isso tudo nos leva, inevitavelmente, a lembrar como a empresa não tem mantido esse tratamento apenas com Castlevania, já que franquias como Metal Gear Solid foram longamente estendidas além do que sua mente criadora, Hideo Kojima, pretendia. Silent Hill teve seu projeto mais ambicioso, Silent Hills, descontinuado e cancelado pouco após o P.T. ter sido lançado. Posteriormente, o próprio Koji Igarashi comentou sobre o caso do Kojima e o defendeu, citando como a "Konami tem uma certa maneira de intimidar funcionários e causar falta de informações."

  Isso tudo nos leva à parte mais triste desta história. Os mais prejudicados nessa história toda, além das franquias e o público, são os funcionários da empresa. Em 2015, o site da Kotaku publicou as informações sobre como os funcionários são "tratados como prisioneiros", e infelizmente essa é a impressão que fica mesmo. Entre as informações listadas, vemos que foram reportados casos de computadores que não eram conectados à internet, câmeras monitorando os movimentos dos funcionários, e até desenvolvedores sendo realocados para cargos nos pachinkos, segurança e limpeza, não possuírem um e-mail permanente da companhia, encarregados de contato com gente fora da empresa tem seus endereços mudados aleatoriamente todo mês, e já houve relato de um desenvolvedor realocado para as máquinas de pachinko, que saiu da empresa, mas seu tempo lá lhe rendeu depressão. E pode-se até argumentar sobre como essas informações vieram de 5 anos atrás, mas elas também vêm de muito tempo atrás. Castlevania 3, de 1989, sofreu com a prioridade que a Konami deu ao game das tartarugas ninja, que havia apresentado mais lucro, e o time de Castlevania teve que sobreviver e trabalhar com pouco, assim como outros times que não mostravam tanto lucro quanto Tartarugas Ninja.

  E os pachinkos...
  Bem, em resumo, são máquinas de jogos de azar, já que lá no japão a prática dos fliperamas sempre continuou bem forte, e a Konami também participa desse mercado, com pachinkos temáticos de Castlevania, Silent Hill, Metal Gear Solid, e outras empresas e franquias também. O método é um bom jeito de lucrar bastante dinheiro em pouco tempo, assim como os jogos mobile. Isso mantém alguns nomes de franquias "ativos" e ainda rende muito pra empresa. No meio disso tudo e o cancelamento de Grimoire of Souls, lembramos da ótima série de Castlevania da Netflix, que pelo jeito pode não continuar, por envolvimento do roteirista com relatos de assédio, e logo logo mais um jogo mobile vindo, chamado Moon Night Rhapsody.

O que podemos esperar? 

  Só ter esperança de que um dia a empresa possa voltar a fazer bom uso de suas franquias. A Konami nunca ligou, mas lá dentro tinha gente disposta e apaixonada pelo o que faziam. E pouco a pouco, essas pessoas foram e vão embora.

Bom...o que é a Konami? Apenas uma miserável pilha de segredos (apesar de escancarados).

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