Fire Force #01 - Onde há fumaça, há fogo!


  Em um mundo onde a combustão humana, um acontecimento que transforma as pessoas em monstros incandescentes, ocorre com freqüência coberto por muito mistério, afinal as pessoas se transformam de maneira aleatória em desastres flamejantes, cabe aos bombeiros proteger a população dos incidentes que esses eventos podem trazer. Mas como eles podem manter o mundo seguro quando nem eles conseguem descobrir a causa desses desastres?

  Essa é a premissa de Fire Force, mangá de Atsushi Ohkubo que está sendo publicado de forma bimestral pela Panini desde Julho de 2018. O mangá tem feito um relativo sucesso, o que fez com que o mesmo ganhasse uma adaptação em anime na temporada de Verão de 2019. 

  Bom, a história se passa no ano 198 da Era Solar em Tóquio. Somos apresentados a um mundo que foi recentemente atacado por uma epidemia misteriosa que está fazendo com que pessoas perfeitamente saudáveis de repente explodam em chamas e morram. No entanto, ao invés de ficarem mortos após a combustão, os corpos dessas vítimas se tornam monstros em chamas que causam estragos em tudo ao seu redor. Para combater isso, os corpos de bombeiros foram reformulados e novas brigadas de incêndio são criadas. Essas brigadas, chamadas de Fire Force, são compostas por bombeiros e humanos específicos que têm a capacidade de controlar as chamas à sua vontade, e essas brigadas visam curar a epidemia e impedir os infernais antes que eles possam causar grandes danos. Um desses humanos, Shinra Kusakabe, é um soldado dos bombeiros recém-treinado que foi recrutado pela 8ª Brigada Especial de Incêndio, ele é conhecido pelas “Pegadas do Demônio”, devido à sua habilidade de criar e manipular chamas com os pés, o que lhe permite se mover muito rapidamente e deixar um rastro de cinzas por onde anda.

  Por ser uma série de Atsushi Ohkubo, o mesmo autor de Soul Eater, Fire Force vem com um certo hype, e as comparações com seu primeiro sucesso são inevitáveis. Pra falar a verdade, eu nunca tive muito interesse em Soul Eater, a série nunca conseguiu fisgar a minha atenção como outros shounens que acompanhei, mas achei Fire Force uma série com um início muito mais imersivo do que seu antecessor. O mundo e os personagens são bem diretos e interessantes, a obra não perde muito tempo com detalhes esquecíveis e tenta ir diretamente para o que importa, mas isso acaba também sendo um problema.

  Como eu disse, o mundo da série parece mais fácil de ser digerido pelo leitor, e isso se deve tanto pela complexidade inicial quanto pelo espaço para uma exploração futura de seu universo. O surgimento da combustão humana e a criação das brigadas de incêndio para combatê-la é um começo bastante direto, mas interessante. No entanto, a estrutura vai além do simples ato de criar as brigadas; existe um elemento interessante da religião, com as freiras que acompanham os bombeiros, e já estamos vendo uma profundidade estrutural mais trabalhada no primeiro volume, com o início das novas competições de recrutamento ao final do volume, ou seja, vemos um arco de torneio prestes a começar já no primeiro volume. Parece que as relações entre as brigadas e seus membros serão extremamente cruciais para o enredo nos próximos capítulos. E, é claro, ainda existe a questão que norteia a obra, sobre o que exatamente está causando as combustões humanas. 

  Porém, essa mesma abordagem direta falha em explicar os detalhes que importam. O mangá explica que são três gerações de pessoas afetadas pela combustão humana. A primeira geração é aquela que enlouquece, morre e se torna infernal; enquanto a segunda são aqueles que têm o poder de controlar as chamas à vontade. Finalmente, a terceira geração são as pessoas como Shinra, que têm controle total e podem tanto criar suas próprias chamas como controlar o fogo ao seu redor. É nesse ponto que pra mim a obra falha nesse primeiro volume, o mangaká não faz um bom trabalho em explicar a diferença entre a segunda e terceira gerações. Só mais perto do fim é que entendemos as diferenças, e mesmo assim ainda ficam margens para dúvidas, o que não é bom quando tudo isso é abordado no primeiro volume. Por exemplo, sabemos que existem três tipos de pessoas que são afetadas de maneiras diferentes, mas isso significa que se você é da segunda ou terceira geração, não pode se tornar um Infernal? Eu também pensei que as gerações estavam divididas por idade mas, mais tarde no volume, encontramos uma garota que perdeu os pais devido à combustão humana e teme que ela seja a próxima. É bem confuso. 

  Sobre os personagens, o Shinra é o típico estereótipo de protagonista com uma história trágica: sua família morreu quando ele era criança e agora tudo o que ele deseja é se tornar um herói. Não o achei tão envolvente como personagem, inclusive fiquei com a sensação de que ele só estava lá, em sua primeira missão contra os Infernais, você não sente o peso de que a cena gira em torno dele, é como se ele fosse um figurante. Por seu esteriótipo, ele seria um personagem com uma história trágica, estaria desesperado para ser um herói perfeito salvando a todos, e procuraria constantemente estar no fronte de batalha, mesmo que tivesse que desobedecer as ordens de seus superiores. Felizmente, o personagem não se encaixa inteiramente nesse perfil. O passado trágico e o desejo de ser um grande herói estão lá, mas o Shinra é realmente um cara surpreendentemente equilibrado e educado, levando todo esse cenário em conta. É um personagem que acaba sendo um pouco interessante neste volume apenas por seus detalhes, como por exemplo seu tique facial, onde ao ficar nervoso ou tenso ele exibe um sorriso esquisito, criando diversos mal-entendidos, tanto como alívio cômico quanto com algumas paradas mais pesadas, como sua reação a morte de sua família. Por mais que isso pareça um pequeno detalhe a princípio, o autor faz bem em tornar esse detalhe relevante e digno de acrescentar à história e a caracterização.
 
  Claro, Shinra não é o único personagem relevante em Fire Force. Até agora, a maior parte do elenco apresentado são os companheiros de Shinra da 8ª Brigada do Corpo de Bombeiros Especial. Embora ainda seja muito cedo na história, as introduções dos outros integrantes dos bombeiros parecem promissoras. Por exemplo, Akitaru, um ex-bombeiro que para as brigadas especiais, não tem capacidade de controlar o fogo, mas é o capitão da brigada e parece ser um líder muito respeitado; Maki, uma ex-soldado militar, é uma bombeira de segunda geração e é muito dedicada, mas de coração mole; Arthur é um rival a altura para o Shinra, além de um grande fã dos cavaleiros medievais, o que foi mais um alívio cômico genial pra mim. Essa mistura de personalidades e habilidades de um mesmo poder, controle das chamas, me traz esperança num bom desenvolvimento futuro dos personagens.

  Eu conheço pouco de Soul Eater, mas os leitores que são familiarizados com a obra ficarão felizes em saber que Fire Force traz um estilo de arte semelhante. Os personagens e cenários são detalhados e Ohkubo consegue transmitir bem a ideia de pessoas e lugares pegando fogo. Dito isso, acho que seu trabalho nesta obra não é tão bom quanto poderia nas cenas de ação. A maior batalha do primeiro volume é um pouco complicada de ser compreendida por conta dos flashbacks do Shinra, é a perda de um tempo valioso que poderia ter sido melhor usado na luta em si, em vez de dividi-la em segmentos, o que fez a luta perder todo o seu peso. As vezes era difícil saber onde todos estavam e isso não é algo esperado de um mangaká experiente como ele.

  No fim das contas, Fire Force é uma boa combinação de elementos não tão novos assim, mas de certa forma com uma nova abordagem, com os clichês mais batidos que você possa imaginar dos shounens de porrada. A introdução acessível e os personagens bem introduzidos contribuem para um começo intrigante. Mesmo assim, penso que a obra ainda precisa ser melhor trabalhada na questão do protagonista, de todos os personagens ele é o que se mostra mais raso, mesmo com seus pequenos detalhes cativantes, ainda tem bastante a melhorar. Temos um arco de torneio a seguir, o que deve ser a chance de aprofundar nosso protagonista, além de explicar melhor essas pontas soltas sobre os detalhes que envolvem os os poderes de controle do fogo, além de desenvolver melhor a rivalidade entre Shinra e Arthur e talvez até mais algumas respostas sobre a morte de sua família. Bastante coisa para contar, vamos com calma para ser bem explicado hein!

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  Então é isso, até a próxima pessoal, vejo vocês no próximo mês!

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