KimiSen #1 - Guerras, Romance e Clichês


  Kimi to Boku no Saigo no Senjou, Arui wa Sekai ga Hajimaru Seisen é mais uma das estreias temporada de outono de 2020. Podendo ser traduzido como "Nossa Última Cruzada rumo ao Surgimento de um Novo Mundo", vemos a história de como o romance dos dois mais poderosos guerreiros de nações inimigas podem mudar o rumo do mundo ou se afundar em seus clichês enquanto tenta contar uma história.

  Bom, no primeiro episódio somos apresentados a Iska, um dos mais jovens e poderosos discípulos santos do Império, guerreiros de um país em constante guerra contra os magos astrais e as bruxas. Um ano após ser preso por libertar uma bruxa inimiga, ele é solto com a condição de assassinar o grande trunfo do lado inimigo, Alice, a Bruxa da Calamidade Gélida. Porém, graças ao destino, os dois acabam se apaixonando mesmo que precisem matar um ao outro.

  Acho que quase todos os animes hypados decepcionaram na estreia. Exceto por Jujutsu Kaisen, esse acabou este sendo o mal dos animes dessa temporada, de apresentar um enredo bem raso. A obra começa a nos apresentar toda a construção de mundo e do porque a guerra chegou ao ponto que chegou, mas ela falha em fazer com que o espectador sinta a importância daqueles eventos históricos, ao fazer com que os personagens contem os fatos em diálogos artificiais ao invés de posicionar aquelas informações na trama de maneira natural. Eu não quero parecer repetitivo, porque venho falando disso nos outros artigos de primeiras impressões nessa temporada, mas novamente: Mostre os fatos, não os conte. 

  Outro ponto que achei interessante do episódio foram as semelhanças que notei com Cavaleiros do Zodíaco, tanto pra bem quanto pra mal. Fiquei com essa impressão principalmente nas lutas, com o jeito com que as habilidades foram mostradas em cena e como o grau de poder dos personagens era mostrado. Os diálogos expositivos também me lembraram bastante o anime, para mensurar a grandeza dos personagens. Não sei se é um padrão dos shounens em geral mas fica essa ressalva.


  Aproveitando a menção a isso, ironicamente um problema de CDZ também acontece aqui de forma bizarra, que é o fato dos personagens serem extremamente lineares, em especial o casal de protagonistas que é onde podemos reparar mais facilmente isso pois ganham mais tempo de tela. Começamos o episódio com o Iska libertando uma bruxa por motivos que não nos são explicados, ele é preso e um ano depois libertado para matar uma bruxa, mesmo ficando preso por ter salvo uma. Logo após ser solto, nenhuma reação, nem feliz, triste, irritado ou qualquer coisa que seja, apenas vamos sair e cumprir a missão, porque eu sou extremamente altruísta e “preciso acabar com a guerra e trazer a paz ao mundo porque sou o protagonista overpower”. 

  Depois vemos a Alice, que é extremamente fria (perdão pelo trocadilho) e poderosa, ninguém pode detê-la, por ela é a maioral, e ela que vai parar a guerra e unificar o mundo e... ela escorrega do barranco, cai nos braços do Iska e decide que tem que recuar, porque este rapaz confundiu seus sentimentos com seus ideais de paz e sua beleza. Eu não preciso dizer o quanto isso é clichê e superficial, não sei se a ideia é essa mesmo ou é preguiça de construir uma história e diálogo decentes.

  Sobre a animação, a Silver Link parecer ter caprichado bastante nas cenas de luta, elas estão bem fluídas e bonitas de se ver, porém nas cenas mas cotidianas parece que não tivemos tanto esmero assim, então acabamos notando uma queda de qualidade considerável, mas nada que influencie quando conseguimos ser envolvidos com a trama, então dá pra relevar até, embora eu ache os personagens meio genéricos mas isso é mais um gosto pessoal meu. A trilha sonora cumpre bem seu papel aqui, souberam construir de modo a trazer mais emoção as cenas de mais tensão do episódio e funcionaram, inclusive fui pesquisar mais sobre a abertura e o encerramento e acabei salvando aqui na minha playlist, o encerramento principalmente, muito bonito.


  De tudo que foi mostrado nesse episódio, o que mais me chamou a atenção foi o cenário em que a ação se passa, parece ser um mundo bem rico e que pode ter várias histórias sendo construídas ao redor dele, toda a questão sobre como esses poderes funcionam, o que causou a caça aos magos astrais, o contraste entre um mundo com inspirações medievais futurísticas, bem no estilo dos J-RPGs, ao mesmo tempo que vemos cidades, prédios, carros, bem semelhante ao mundo real mesmo, um centro urbano. É triste que no meio de todo esse mundo esteja uma história rasa onde vemos clichês atrás de clichês, até o casal proibido ficar junto e salvar o mundo. Os outros personagens são tão presos em arquétipos batidos que acabei nem falando muito porque não chamam atenção alguma. Espero que isso se mude durante os próximos episódios e que possamos ver uma grande história sendo contada e um romance incrível crescendo.

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