Yuukoku no Moriarty #1 - Um vilão não nasce, ele é moldado



 “As pessoas querem o que elas veem”
  A partir desse pensamento, Moriarty tenta solucionar um série de assassinatos de algumas crianças em Londres, capital da Inglaterra. Incomomado por ver o povo descontente com a falta de capacidade da polícia em resolver o caso, e perante um pai em profundo luto após perder o filho, o jovem nobre decide agir e encontrar o suspeito, mesmo que tenha que utilizar de métodos questionáveis para isso. Afinal, para alcançar a justiça, todo caminho é válido?

  Bom, nessa estreia acompanhamos Moriarty, o conhecido rival de Sherlock Holmes. A história é ambientada em Londres, que ao mesmo tempo que cresce e se expande como uma grande metrópole, cresce envolta por diversos assassinatos e mistérios. Somos apresentador então a William James Moriarty, que é um órfão que possui uma mentalidade genial, e por conta disso, ele tenta resolver os problemas causados ​​pelas consequências das falhas da sociedade inglesa, mesmo que para isso ele precise quebrar as leis para buscar justiça, ou vingança. 

  Eu fui assistir o anime sem muitas expectativas, porque além de não conhecer muito sobre a história de Sherlock Holmes, esses animes que adaptam histórias do ocidente sempre me pareciam muito caricatos, pelo menos era essa minha reação a algo que me acostumei a ver sempre de um jeito e me deparar com uma releitura feita nos moldes japoneses. Mas, como boa parte das coisas que escolhi ver nessa temporada, estou sendo surpreendido, porque foi uma excelente estreia, por diversos aspectos. O primeiro deles foi a escolha de usar um vilão como personagem principal, algo que não é tão comum de se ver em um anime. Eu demorei um pouco para entender que aquele era o Moriarty, e a partir do momento que ele se apresenta, eu comecei a ficar mais intrigado com o que o anime estava disposto a propor, porque até certo ponto do episódio temos uma estrutura narrativa bem básica e de certa forma óbvia, vemos uma série de crimes que a polícia não resolve, o detetive encontra pontos em comum com os acontecimentos, acha uma pessoa que entrelaça esses pontos e descobre o culpado, até aí tudo igual. Mas é a partir desse ponto que vemos como os ideais de Moriarty moldaram seu senso de justiça.


  Ele foge dos simples padrões de um detetive, pois busca na vingança a justiça que a sociedade não pode prover as vítimas. Mas não apenas a vingança por sí só, Moriarty apresenta uma personalidade manipuladora e maliciosa quando, através de sua investigação, arquiteta todo um plano para que os culpados respondam pelos seus crimes, mas que ao mesmo tempo, as vítimas possam trazer essa "justiça" a esses criminosos como forma de encontrarem a paz dentro de si após perderem um ente querido, por mais torta que seja essa visão de justiça. 

  Isso fica bem claro quando vemos os diálogos entre ele e seus irmãos com o pai de um dos garotos assassinados, onde é perceptível uma tentativa de aproximação com a vítima, um zelo, para convence-la a cruzar os limites que a lei impõe e assim alcançarem sua justiça. O próprio Moriarty poderia muito bem ser o agente da vingança, mas ele não o faz, é quase como se ele deixasse esse momento final de vingança para o pai do garoto para justificar suas ações, para que, de alguma forma, ele esteja dizendo que suas motivações são boas, que ele só está fazendo o que a polícia não consegue fazer, e que não se importa em que caminhos seguir para isso. É uma boa construção de vilão, que faz com que nós acabemos nos afeiçoando a ele.

  A forma como a parte visual do anime também ajuda bastante na caracterização dos personagens e na climatização da obra. Por exemplo, nas diversas cenas focadas nos olhares dos personagens, onde víamos alguns com as pupilas em azul, mostrando a pureza do personagem e o quanto ele estava desesperado com aquela situação, em lidar com algo tão vil e sombrio, enquanto o olhar de Moriarty era vermelho, uma cor mais quente, demostrando um olhar de quem estava lidando com uma situação que já estava acostumado a lidar com aquela situação tão pesada, com tudo sob controle. Fora as gárgulas com fundo vermelho, usadas em alternância com os momentos em que um personagem estava morrendo, dando um tom bem sombrio as cenas, isso foi realmente bem feito


  Estou realmente empolgado com esse anime. já no primeiro episódio, tivemos muitos temas que podem dar discussões intermináveis na internet, sobre como as instituições estatais conseguem se tornar falhas por se prenderem ao sistema legislativo do próprio estado; o que pode ser tão traumático para fazer com que uma pessoa abra mão do protocolo social em prol de seus ideais de justiça, ou melhor, o que o fez deturpar seu senso de justiça a esse ponto. São muitas perguntas em mente agora, e eu gosto quando um anime faz isso, bota o espectador pra pensar, questionar as motivações dos personagens, o que acho que pode ser ainda mais interessante nessa obra ao sabermos que se trata de um vilão, iremos concordar com ele depois de o conhecermos mais a fundo?

  Bom, disso eu não sei, mas podemos reparar que o anime pretende seguir um sistema episódico, onde temos o caso da semana a ser resolvido, e aos poucos vamos montando uma grandiosa trama, que pode ser a forma como ele e o Sherlock Holmes irão se relacionar, afinal temos um corpo de um nobre abandonado em um galpão, e o Moriarty acaba o episódio considerando este o crime perfeito, então ele tem noção de que é um criminoso. Ou seria essa a sua intenção, de querer ser um criminoso que mexe com as estruturas do estado, ao mostrar ser aquele que faz o que a polícia não consegue fazer? 
Quanto mais eu penso, mais eu quero ver o próximo episódio!

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