Ikebukuro West Gate Park #2 - Uma Cruzada Moral



  Era apenas mais uma noite qualquer em Ikebukuro, até que um jovem ruivo e com tatuagens de asas de anjo cativa uma multidão, com seu ballet perfeito e por estar sem camisa. Esse rapaz é Kyouichi Ozaki, que cria do nada sua gangue em Ikebukuro, os Red Angels, que mostram ser um grupo capaz de bater de frente seriamente com os G-Boys, criando uma rivalidade de verdade. O foco do conflito aqui não é se a hegemonia dos G-Boys será desafiada, mas quando e como. Mas, assim como no primeiro episódio, o anime tenta não se desenvolver tão previsivelmente quanto esperamos, demonstrando que teremos uma preferência pelo flerte com o realismo em vez de um conflito simplesmente preto e branco.
 
 Neste episódio temos um novo restaurante chegando em Ikebukuro, em um típico esquema de uma grande rede de franquias, nesse caso especializada em Curry, onde se torna relativamente popular por seus preços acessíveis porém com uma comida de qualidade mediana, pensando apenas em maximizar o lucro dos donos. Depois da chegada dessa franquia ao bairro, diversos relatos de que a empresa trata seus funcionários mais novos, de nível colegial, como se fossem descartáveis, colocando muita pressão psicológica sobre eles. Por conta de toda essa situação se passar no bairro protegido pega gangue, e de alguns de seus membros serem funcionários do restaurante, Takashi pede que Makoto investigue por suspeitar que os Red Angels estejam envolvidos ou até mesmo a serviço da rede de franquia.

  Bom, já era perceptível essa tendência de moralizar as ações das gangues desde o primeiro episódio, vide seu embate contra traficantes de drogas. O problema é que essa forma de retratar as gangues acabam tornando a narrativa muito plana, sem áreas cinzentas que tornem a história um pouco mais interessante ou realista. Neste segundo episódio tivemos uma certa evolução nesse quesito, por conta de retratar toda essa questão da exploração que grandes empresas no Japão fazem sobre seus funcionários, acabamos por ver uma história mais interessante que num primeiro momento deixa a narrativa um pouco mais palpável, com problemas reais, porém a forma como foi desenvolvido acaba por matar esse interesse inicial. Não exatamente por ser ruim, mas justamente por conta dessa abordagem direta e da retratação heroica das gangues, então assim é meio difícil fazer com que o espectador se apegue ao que está acontecendo na tela.

  O real problema desse episódio é a forma como os Red Angels são construídos. A ideia do anime é retratar uma guerra de gangues, onde aparentemente ambas estão dispostas a proteger o bairro, e a história pretende mostrar como dois grupos com um mesmo objetivo acabaram virando inimigos mortais. Certo, isso já podemos presumir, mas como exatamente vou me importar com isso sabendo que um desses grupos surge simplesmente do nada? E não é exagero, numa primeira cena temos um cara completamente aleatório dançando no meio de Ikebukuro, e logo depois da abertura ele tem uma gangue que acabou de montar. Tipo, como me importar com esse personagem que foi jogado em cima da trama de qualquer jeito? Tá certo que o anime só vai ter doze episódios, talvez renovado para mais doze no máximo, mas com certeza dava pra apresentar melhor esse grupo, de uma forma menos idiota pelo menos.

Uma nova gangue surge em Ikebukuro, formada por jovens que anseiam defender o bairro e que aumentaram as vendas de casacos vermelhos em 600%

  A estrutura do anime continua episódica, isso provavelmente vai mudar quanto mais perto chegar do clímax por conta da disputa entre as gangues, porém, como citei acima, a resolução de problemas desanima bastante, por conta da forma como a trama é muito simples, além do fato do Makoto resolver todos os problemas através de conexões que ele possui com pessoas de Ikebukuro, conexões essas que nós não vimos nascer, ou seja, mais uma vez o anime se utilizando de coisas que não são mostradas ao publico para construir o roteiro. 

  Aliás, este é outro problema que me veio a mente. Quem exatamente é o protagonista? Ora o obra tenta trazer o Makoto com esse papel, depois com o surgimento dos Red Angels, vemos o King com um pouco mais de destaque, mostrando o começo de uma rixa com o Kyouichi, então de quem exatamente está sendo contada a história nesse anime? talvez até pode ser a história de Ikebukuro, é uma abordagem usar o bairro como protagonista, porém parece que nem o próprio anime decidiu isso ainda, o que me deixa confuso. Outro ponto é que ficamos com a impressão de que o anime espera que você já saiba quem são esses personagens, mesmo que eles sejam apresentados porcamente. Este episódio também dá um pouco a sensação de que é como se esse fosse o primeiro episódio, porque ele é totalmente desligado do primeiro episódio, e é aqui que a trama realmente começa.

  Então, levando em conta tudo isso, minhas expectativas para esse anime foram pulverizadas. Os personagem simplesmente existem de uma maneira totalmente irreal e plana, a trama acontece mas por conta de sua linearidade não consegue cativar o leitor, e a principal motivação para com que a obra se sustente, a briga de gangues, não se sustente porque as gangues não passam credibilidade. O cenário em si até ajuda, essa ideia de Ikebukuro é muito interessante de se trabalhar desde Durarara, porém o roteirista parece não saber o que está fazendo. Eu espero que os problemas pessoais dos personagens se tornem mais complexos com o decorrer do anime, fazer com que esses personagens sejam importantes pra gente que está assistindo, adicionar alguns tons de cinza a história das gangues, não sei o que esperar, mas por enquanto estou decepcionado.

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