KimiSen #2 - Muito Romance, Pouca Guerra


  Voltando com nossos artigos de temporada, com um segundo episódio que eu estava realmente ansioso. O mundo que nos foi apresentado é interessante de certa forma, poderíamos ver mais sobre a guerra e suas motivações, como ela influencia os personagens, ou até o que motivou aquela ação do Iska que o levou a ser preso no primeiro episódio. Mas acabou que tivemos só o casal principal mesmo com vinte minutos de tela, e no fim eu só estava me perguntando se realmente estava acontecendo uma guerra ali, ou se alguém ainda lembrava disso.

  Bom, este segundo episódio continua diretamente do final de sua estreia, onde vemos que Iska está com dificuldades para dormir. Por conta disso, ele ganha um ingresso para ir em uma peça, em busca de distração e relaxar um pouco frente aos problemas. Porém, acaba encontrando Alice no fim da peça sentada a sua frente, e por mais que sejam inimigos, eles evitam o confronto por estarem em Ein, uma cidade neutra em que nela é proibido todo e qualquer tipo de combate por conta de diplomacia. Como a vida é feita de coincidências, eles acabam se esbarrando novamente em um restaurante dias depois, onde dividem uma mesa e descobrem ter muito em comum, muito mais que o normal. Agora, tanto Alice quanto Iska estão cada vez mais confusos sobre seus sentimentos um pelo outro e não sabem ao certo o que irão fazer sobre isso com uma guerra para lidar e estando em lados opostos. 

  Achei esse episódio um pouco estranho. Tipo, parece que a coisa com menos peso nessa obra é justamente a guerra, que deveria ser a motivação dos protagonistas, você assiste o episódio sem ter a mínima sensação da urgência de uma guerra. Nós temos o Iska e a Alice que foram apresentados como os pontos-chave para mudar o rumo da guerra para seus respectivos exércitos, mas estão interagindo em uma cidade neutra, conversando, tendo um encontro, aliás, alguns encontros. Tudo isso sem preocupação, sem um cuidado contra um possível ataque contra eles, uma armadilha ou apenas espionagem talvez. Por maior que seja a importância de manter a paz numa cidade neutra, nada impede que eles sofram um ataque por lá, afinal uma guerra não tem regras. Tudo bem a guerra ser um plano de fundo para o romance, mas como construir uma história de um casal proibido de lados opostos de uma guerra, se a guerra não importa?

  Falando nisso, essa questão das cidades neutras parece ser algo interessante. Os personagens demonstram uma grande preocupação em manter as relações diplomáticas, então esses países neutros parecem ter grande importância para o desenrolar da guerra, é como se os dois países dos protagonistas estivessem numa guerra pontual entre eles, mas que existem vários outros países neste mundo que estão apenas no meio do fogo cruzado, tentando conviver normalmente com um clima de tensão constante de países vizinhos. Poderemos ver muitas coisas interessantes acontecendo daqui pra frente, quase como aconteceu nas Grandes Guerras Mundiais no mundo real, que começaram entre dois ou três países e se expandiram demais, com traições, surpresas e afins, então fico ansioso se teremos mais sobre essa parte mais neutra da guerra. 


  Ainda sobre o casal, a forma como esse romance vai se construindo também é um pouco bizarra. Não se a maioria dos animes de temporada sofrem desse mal, mas boa parte dessas obras de 12-24 episódios tratam os personagens como se nós já os conhecêssemos há muito tempo e de fato nos importemos com eles, e por isso eles podem ser mostrados no dia a dia de qualquer forma que vai funcionar e, não, não funciona. Os personagens se encontram em sucessivas coincidências bem forçadas, e demonstram ter diversos gostos em comum, e se completando em diversos aspectos, sem nenhuma preocupação por serem inimigos mortais. Isso pra mim é uma preguiça gigante do roteirista em construir uma história que não trate o espectador como um imbecil. 

  Bom, espero que isso seja desenvolvido melhor nos próximos capítulos, porque é bem triste ver uma história com tanto potencial se perdendo assim, por falta de cuidado com o roteiro. A guerra tem zero desenvolvimento, os personagens secundários são jogados na tela de maneira aleatória, eles tem importância para os protagonistas mas não vemos porque, apenas e dito e temos que aceitar. Aliás, os diálogos expositivos continuam com força nesse episódio, tentando explicar porque Iska e Alice são o que são e falhando miseravelmente em tornar isso importante, pois são apenas diversas informações passando batidas em grandes monólogos. Vamos ver no que vai dar nos próximos episódios, mas acho que não tem como ficar mais irrelevante.

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