The Medium - Porque ele merece sua atenção


  Há alguns meses foram anunciados vários jogos por parte da Microsoft, e um deles se destacou bastante, sendo provavelmente o exclusivo mais aguardado. The Medium, um jogo de terror psicológico desenvolvido pela Blobber Team e com destino para Xbox Series X e o Series S, além do PC. Ele nos apresenta a proposta de jogarmos como uma médium com capacidade de habitar dois mundos ao mesmo tempo, um real e o espiritual,  tendo dois mapas carregados simultaneamente e interagindo entre si, uma mecânica muito interessante e feita de uma maneira que, segundo a desenvolvedora, só poderia ser alcançada pela nova geração. Segundo o estúdio, é o projeto mais ambicioso que já tiveram.

  A personagem principal se chama Marianne Severo, ela é uma médium desde criança, e viveu tendo uma visão do assassinato de uma menina, sem saber exatamente o significado dela. Vivendo sempre nos dois mundos, um dia ela recebe uma ligação de um homem misterioso chamado Thomas, oferecendo as respostas que procura.

  A partir daí conheceremos mais do mundo real e do mundo espiritual, que é constituído e formado por tudo que é forte em nosso mundo, como emoções muito fortes que guardamos pra nós mesmos, elas acabam se ligando a esse universo mais sombrio. 


  O mundo espiritual é totalmente inspirado pelos trabalhos de Zdzisław Beksiński, um renomado artista polonês, que foi pintor, fotógrafo e escultor num estilo que podia ser considerado gótico e surrealista. A equipe comentou no twitter o seguinte: "A arte dele, especialmente o período na sua carreira em que nos inspiramos, pode ser apenas descrita como perturbadora, sombria e surreal. É a combinação perfeita para o nosso mundo espiritual, um lugar hostil e triste, onde os mortos permanecem."

  E depois completaram: "Como uma desenvolvedora polonesa, estamos orgulhosos de nossa cultura e tentamos usar nossos jogos para propagá-la mundialmente". 

  Curiosamente, Zdzisław Beksiński estudou na faculdade de Cracóvia, cidade essa que fará parte do game, além de ser onde a Blobber se localiza.

Pintura sem título de Zdzisław Beksiński, na qual podemos ver bastante como ela influenciou a criação do mundo espiritual de The Medium

  Como dito por Wojciech Piejko, o estúdio não tem apenas a intenção de produzir jogos para causar terror nas pessoas, mas para abordar um certo assunto, e o caso de The Medium é a dualidade, os diferentes pontos de vista que algo pode ter. O objetivo é não julgar o jogador pelas próprias ações, já que serão apresentados várias situações com pontos de vista diferentes, e o jogo nunca contará que algo foi bom ou ruim. Como uma médium, Marianne e o jogador, através dos poderes dela, poderão ver um lado diferente de tudo, desde pessoas, lugares e mais.

  O conceito dos dois mundos e da dualidade se eleva ao ser transmitido através de tudo no jogo, desde o level design, a história, e até na própria música. A trilha sonora do jogo é produzida por uma dupla de compositores, sendo Akadiusz Reikowski, que já fez as músicas dos outros jogos da Blobber. Enquanto isso, para o responsável pelas trilhas do mundo espiritual, foi feita uma parceria com uma lenda das trilhas sonoras de terror, Akira Yamaoka, responsável pelas músicas de Silent Hill, uma das franquias que mais fornece inspiração para o time, e segundo Jacek Zieba, produtor do jogo, todos na equipe consideram Silent Hill 2 o melhor jogo de terror já feito, tendo Akira como uma das referências principais quando pensam em atmosfera para The Medium, por suas músicas serem, nas palavras de Jacek, "pesadas, perturbadoras, opressoras". 

  Também haverá participação de Mary Elizabeth McGlynn, cantora que já deu sua voz para jogos da franquia Silent Hill.

  Além disso, já foram disponibilizadas duas das músicas na trilha, "Marianne's Theme", de Arkadiusz e "The Maw", de Akira. Ambas no Youtube oficial da Blobber Team e na página da Steam do jogo.

Arkadiusz Reikowski e Akira Yamaoka

  Fora tudo isso, também há toda a implementação do sistema de duas realidades na gameplay, como para resolver puzzles, em que cada mundo terá impacto e interação com o outro. Durante a maioria do tempo de jogo, o jogador irá se encontrar em apenas uma dimensão, mas em certos momentos, será necessário controlar Marianne nos dois cenários com ambos na tela ao mesmo tempo. Certas ações do jogador só podem ser feitas de um dos lados, e muitas vezes para influenciar o outro, como demonstrado em vídeos da gameplay.

  O exemplo visto no vídeo com foco em demonstrar essa mecânica nos apresenta Marianne em busca de acessar uma sala, mas faltava a energia para abrir a passagem secreta, e utilizando de um relógio no mundo real, o tempo na versão espiritual da sala regride, a permitindo acessar um certo momento em que a porta estava aberta, mas apenas no outro mundo, e ao sair de seu corpo, ela restaura a energia no outro lado da porta, influenciando a nossa realidade, e lhe permitindo o acesso.


  Além disso tudo, Troy Baker também fará parte do jogo, dublando "The Maw", um ser que ainda não pudemos ver o suficiente sobre, mas que pertence à realidade espiritual e aparentemente está interessado em Marianne por sua natureza médium, e provavelmente agirá como o perseguidor do personagem em certos momentos do jogo, e pelo jeito, ele nasce do sentimento de raiva naquele mundo. Como dito num dos trailers, "Veio da raiva...do desamparo".
 
  Esse monstro também é uma ameaça para uma criança misteriosa e mascarada que Marianne encontra e conversa na realidade espiritual, comentando que os amigos dela foram devorados por aquele ser.

Momento de encontro entre as duas em um dos trailers

  Nossa protagonista também não possui total controle de suas habilidades como uma médium, algo que pode vir a ser aprofundado no decorrer do jogo, já que temos muitos comentários sobre como Marianne passou a vida tendo essas visões, e nas palavras da mesma, desde criança ela viu coisas que poderiam acabar com um homem crescido, e apesar de viver constantemente em dois mundos, ela nunca foi parte de nenhum. Nessa parte o fator mais psicológico do jogo deve se apresentar como bem influente.
 
Momento de gameplay em que se utiliza do sistema de dupla realidade
  Isso conclui a maioria das informações até o momento sobre The Medium, um projeto altamente ambicioso e com ótimas ideias por parte da Blobber Team, que chegará logo no período de início da nova geração. Tudo aponta para que seja um jogo bem promissor, principalmente ao vermos a recepção por parte da maioria da mídia para os jogos anteriores do estúdio, como Observer, os dois Layers of Fear e seu mais recente, Blair Witch.

  Todas as intrigantes mecânicas mescladas com o terror psicológico prometem uma experiência, no mínimo, diferenciada, e toda a inspiração por trás da realidade espiritual cria um cenário interessante no sentido artístico, com um plot misterioso e um suspense carregando uma ótima capacidade, The Medium nos deixa ansiosos e curiosos pelo o que nos será apresentado.

  Recentemente adiado, o jogo lançará dia 28 de Janeiro de 2021.

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1 Comentários

  1. texto muito bem escrito e descrição 100% de acordo com a temática do jogo, o que ele tem a apresentar. Ansioso para o lançamento.

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